6.3.06
JuveBêdê #34

ref.101/06

Distribuído em Março, apesar do mês que ostenta na capa (Dezembro de 2005), o nº 34 da revista de BD da Associação Juvemedia JuveBêdê vê finalmente a luz do dia.

Este atraso prejudica grandemente a actualidade do seu conteúdo, maioritariamente constituído por resenhas de álbuns portugueses e franco-belgas saídos no último trimestre de 2005. Mas se as resenhas permanecem sempre actuais, mesmo tendo nalguns álbuns passado já 6 meses da sua data de publicação, as foto-reportagens do 5º aniversário do CNBDI e o lançamento do álbum de Astérix na Bélgica, ambos em Setembro, e do FIBDA 2005 em Outubro/Novembro, apenas apresentam um interesse histórico. Mais deslocadas são as notícias (se é que ainda as podemos assim designar), especialmente as relativas a exposições de 9ª arte, todas, sem excepção, já finalizadas.

A nível de banda desenhada, apresenta a conclusão de Deus do Tubos, iniciada no # 33, com argumento e layout de Daniel Maia e arte de Dinis Vale. Algo desinspirada...

Numa altura, em que esta publicação está à porta de entrada do seu 10º ano, talvez seja altura de rever quais os seus objectivos e limar o que os seus mentores acharem que necessita de ser sublimado. Não me refiro a erros triviais, como fazer no mesmo número resenhas (quase idênticas) do mesmo álbum na sua edição portuguesa e franco-belga, nem de noticiar projectos há muito anulados/adiados (como Pão de Law) ou de algumas informações pouco correctas relativas à periodicidade do BDjornal...

Falo do que é que se pretende com esta publicação... É apenas para se fazer um anuário (bastante incompleto, obviamente) do que se vai publicando em Portugal? Idem a nível de franco-belga (ainda mais incompleto, como facilmente se presume)? É difundir a BD publicada nestes países? Deste modo, com resenhas e sem imagens retiradas das mesmas, conseguir-se-á algo? E quem é o seu grupo-alvo? Os não tão jovens assim e é por isso que se fala tanto de franco-belga? Ou o público-alvo são os jovens, mas como as editoras estrangeiras colaboradoras são maioritariamente (por vezes, unicamente) franco-belgas, é isso que é possível divulgar? O que nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?

Quanto mais números da JuveBêdê leio, mais me convenço que os jovens não se interessam pela publicação; a maioria não conhece as séries nem os magazines franco-belgas, nem comprará álbuns nessa língua, que pouco domina; e hoje em dia, habituados a navegar na internet, os que apreciam BD não se contentam com capas e resumos - procuram previews e opiniões, estas, em especial, de bloguistas da mesma faixa etária (a influência do grupo) e não da crítica especializada. É a minha opinião que a publicação está cada vez mais fechada sobre si mesma, não sendo capaz de atrair os leitores para as quais, em princípio, é feita.

Claro que a tiragem também é apenas de 250 exemplares. E os adultos jovens (e não tão jovens) até vão gostando de ler as páginas dedicadas às publicações franco-belgas (na secção curiosamente apelidada de internacional)... Talvez o mais fácil seja mesmo mudar o nome da revista e disfarçar mais o nome do proprietário e editor... Acabariam as dúvidas existenciais. O problema é que os actuais apoios também...

JuveBêdê #34
Juvemedia, 2005 (Portugal)
32 pp, brochado
ISSN 0874-4491


Posted at 20:40 by enanenes
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5.3.06
Batatas

ref.100/06

Com direito a exposições no 2º Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada e 11º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, o francês Matthias Lehmann (que se considera metade brasileiro) já viu editados em Portugal 2 trabalhos seus, ambos na série Primata Comix das Edições Polvo, tendo o último se intitulado Batatas (#18 da referida série).

Nas 16 páginas que constituem a publicação, encontram-se 2 obras: A Verdadeira História do Rock'n'Roll (dividida em 2 partes) e Sábado à Tarde. Nelas, somos levados ao mundo de jovens adultos sem grandes objectivos na sua vida, onde o álcool, a tv e a música têm um papel fulcral e onde a beleza é ausente (apenas Sónia apresenta algum sex appeal).

Com um grafismo que, uma vez entranhado, se torna apelativo, o argumento fica algo aquém e pouco acrescenta - apenas mais um retrato de gerações sem futuro.

Batatas
Matthias Lehman
Primata Comix #18
Polvo, 2000 (Portugal)
16 pp, brochado
ISBN 972-8440-34-0


Posted at 20:00 by enanenes
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4.3.06
Pato Donald #131

ref.099/06

Das 7 estórias publicadas, 3 são dinamarquesas, 3 são italianas e 1 é brasileira.

Começando pelo norte, da Dinamarca chega-nos Peixe Fresco (Andebys bedste lystfisker, 2002) de Paul Halas e Juan Torres Perez. A bonita arte de Perez ilustra a ideia de Halas em explorar as obcessões de Donald, desta feita com a necessidade de pescar um salmão, o que poderá não acabar da melhor maneira. A arte de Vicar pode ser apreciada em Uma História Chocante (I stødet, 2004), uma aventura de Donald passada na Amazónia com argumento de Lars Jersen, em que desta vez o alvo é uma enguia eléctrica. Prenda-me se For Capaz (Moderne ridder, 2004), com argumento e arte do italiano Marco Rota para a editora dinamarquesa revela o Donald como um ás do volante numa verdadeira perseguição policial.

E, falando em Itália, é de lá que nos chega Mestre de Origami (Maestro de origami, 2005) de Sergio Badino e Marco Meloni, defrontando Donald num concurso da referida arte o finalista japonês. Da sub-série Cinema que Paixão (Cinema che passione), é publicada Reservas  (Prenotazioni, 2003) de Stefano Ambrosio e Michela Frare. Dispensável. Também a estória Na Marca do Pénalti (Il rigore decisivo, 2004) de Riccardo Secchi e Francesco D'Ippolito falha os seus propósitos nesta espécie de angústia do marcador de grandes penalidades...

Gérson L. B. Teixera e Irineu Soares Rodrigues apresentam Nem Tudo o que Brilha (Nem tudo que reluz, 1986)  uma aventura de Pena Kid, a versão western brasileira do Peninha, passada na altura em que cavalga o cavalo Torniquete e não o cavalo de pau inicial Alazão de Pau.

Em suma, uma edição com poucos destaques...

Pato Donald #131
(vários autores)
Edimpresa, Março de 2006 (Portugal)
96 pp, brochado
ISSN 0874-0607


Posted at 19:33 by enanenes
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3.3.06
Tricked

ref.098/06

Após Box Office Poison de Alex Robinson, a Top Shelf publicou Tricked, a qual já se encontra na 2ª tiragem com uma nova capa. De novo somos convidados a seguir a vida de algumas personagens. Desta feita, temos a estrela pop com um bloqueio criativo de 4 anos, um fã obcessivo que aos poucos vai piorando da sua psicopatologia de base, um falsificador com dificuldades em manter coesa a sua vida ficcional, uma empregada de restaurante que já teve demasiados estúpidos como namorados, uma adolescente que sai secretamente de casa para ir procurar o seu pai e a estagiária que julga que vai mudar de emprego mas transforma toda a sua vida.

Se em Box Office Poison, Robinson já tinha ensaiado a um nível menor a intersecção das personagens, neste livro parte-se de 6 completos estranhos cujas vida se vão cruzar num certo momento, deveras violento e eventualmente místico.

A nível da arte, Robinson explora as sombras e as sugestões das mesmas, originando vinhetas muito bem conseguidas. É também muito interessante a evolução da caligrafia utilizada na letragem dos pensamentos de Steve, à medida que os seus delírios auditivos e comportamentos paranóides se vão acentuando, enquanto os capítulos - em contagem decrescente até ao clímax - se vão esgotando.

Ao contrário da novela gráfica anterior, o final está na hora certa, no local certo, e é feliz para (quase) todas as personagens...

Tricked
Alex Robinson
Top Shelf, 2005 (EUA)
352 pp, brochado
ISBN 1-891830-73-2


Posted at 12:35 by enanenes
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2.3.06
BZZzzZT!

ref.097/06

Em Abril de 2003, Richard Câmara era publicado no 15º número da LX Comics com o seu BZZzzZT!

Quem leu A Mosca de Lewis Trondheim (datado de 1995) dificilmente não fará um paralelismo. Afinal, em ambos a protagonista de uma BD sem palavras (excepção feita às onomatopeias) é uma mosca algo antropomorfizada, apresentando as pranchas um formato (quase) fixo quanto ao elevado número de vinhetas que as compõem e sendo o movimento uma característica comum a ambos os trabalhos.

No caso de BZZzzZT!, o belga/português Câmara ensaia um confronto entre uma mosca e um sapo, com uma gradação do surrealismo à medida que a narrativa avança, até que se atinge a inesperada resolução da mesma.

Divertido e bem estruturado, este é um daqueles números da série que se podem adquirir sem receio.

BZZzzZT!
Richard Câmara
LX Comics #15
Bedeteca de Lisboa, 2003 (Portugal)
16 pp, brochado
ISBN 972-8487-60-6


Posted at 18:12 by enanenes
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1.3.06
Hiper Hiper Disney 82

ref.096/06

Não há fome que não dê fartura. Se entre o Hiper Hiper Disney #80 e o #81 se passaram 5 meses, entre este último e o #82 apenas decorreu 1 mês.

Como é habitual nos cartonados, nenhuma referência é feita ao autor da capa. Este novo volume compila as revistas Hiper Disney Ano 15 (leia-se 2003) #12 e Ano 16 (leia-se 2004) #2. Para quem não adquiriu estes volumes na altura, que histórias poderão justificar a aquisição deste livro? Destaquemos apenas algumas...

A primeira revista contém histórias desenhadas por autores consagrados, sejam os veteranos Tony Strobl em Um Substituto muito Astuto (The Replacement, 1971) e Massimo de Vita em O Detective Electrónico (Il detective elettronico, 1973), seja o mais recente VIcar em Perdido no Espaço (And i kredsløb, 2001).

Por outro lado, contém várias aventuras passadas em momentos remotos da nossa História, sejam eles reais, fictícios ou baseados na nossa literatura. A Ilha do Tesourão (1984) é uma paródia ao clássico A Ilha do tesouro da sub-série brasileira de paródias interpretadas pelo Peninha, ao qual se juntam Donald, Patinhas, Maga Patalójika e Biquinho. Os seus autores foram Saindenberg e Euclides K. Miyaura. É também apresentada a saga do Descobrimento do Brasil com o Zé Carioca, em 7 partes, com argumento de Gérson L. B. Teixeira, desenhos de Gustavo Machado, arte-final de Antônio de Lima e colorização de Donizeti Amorin. A propósito do Zé, reproduz-se também uma das poucas histórias passadas na época dos heróis de capa e espada em que assume a identidade de Cavaleiro Verde - A Grande Peleja (1995) de Alexandre Dias e Gustavo Machado. Já no século XVIII, assistimos às aventuras de Don Donaldo e A Intriga Atlética (Pablo Paperino e l'intrigo della quadrenga, 2002) de Diego Fasano e Andrea Ferraris.

A 2ª revista também tem autores de renome: Romano Scarpa e os patos em Operação Beata (I "desperados" di Paperopoli, 1973) e O Crocodilo Dourado (L'alligatore d'oro, 1972), sendo esta última arte-finalizada por Giorgio Cavazzano; Massimo de Vita e Indiana Pateta em O Ídolo dos Cobardes (L'idolo dei Fifones, 2002); Jack Bradbury e os Três Porquinhos em Cozinheiros Manhosos (The New Cooks, 1979) e Chiquinho e Francisquinho em As Maçãs da Discórdia (Learning to Share, 1975).

Para os que gostaram da visita ao passado na revista anterior, também esta revista traz uma história passada na Grécia Antiga com o Mickey, intitulada O Tesouro de Cnosso (Il tesoro di Cnosso, 2002) de Giorgio Pezzin e Paolo Mottura.

Oportunidade ainda para ver o Alvinho em A Nota Certa (1978) de Del Connell e Manuel Gonzales, companheiro de Chiquinho nas tiras cómicas do Mickey publicadas nos jornais norte-americanos, bem como a (julgo eu) única aparição d' As Metralhinhas (The Beagle Babes, 1969), de Joan Carey, desinspirada versão feminina dos Metralhinhas para se degladiarem com as sobrinhas da Margarida.

Motivos de sobra, portanto, para não deixar escapar novamente estas histórias...

Hiper Hiper Disney #82 (inclui Hiper Disney Ano 15 #12 e Ano 16 #2, 2003-4)
(vários autores)
Edimpresa, Fevereiro de 2004 (Portugal)
448 pp, cartonado
CB 5 603846 711212 00081


Posted at 23:06 by enanenes
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28.2.06
Os Foliões

ref.095/06

Novo ano, vida nova? O preço do Disney Especial manteve-se mas o número de páginas diminuiu. O logotipo, alterado o ano passado, manteve-se, assim como o grafismo da lombada. Trata-se da revista periódica Disney portuguesa mais antiga em circulação (as anteriores foram todas canceladas), alcançando este mês os 21 anos.

Esta revista bimestral distingue-se das demais por apresentar uma altura superior em 1,5cm. Poder-se-ia pensar que, deste modo, as histórias já publicadas anteriormente poderiam ser melhor apreciadas neste formato. No entanto, a largura idêntica às demais revistas, colocar-nos-ia a suspeição de que, se assim fosse, a arte ficaria desproporcionada... Então, se as pranchas apresentam as mesmas dimensões, para que serve o 1,5cm extra? Na verdade, é infundado, uma vez que apenas aumenta a margem livre superior e inferior.

Das 13 histórias reproduzidas, apenas uma tem o selo de história inédita (já agora, com tanta margem livre, era necessário tal selo estar sobre a 1ª vinheta?). Trata-se de uma história holandesa do Zé Carioca (a personagem mais frequentemente utilizada neste número ou não aludisse ao Carnaval), intitulada O Amigo do Presidente (Aanslag op president, 2000) de Frank Joker e José Colomer Fonts. Joker retrata o Brasil um pouco como uma República das Bananas. Por outro lado, os amigos do Zé não são também os habituais, não sendo designados (ainda poderíamos pensar que um deles seria a Rosinha, mas a ave negra é completamente diferente do Nestor e nos outros amigos não se encontram traços de semelhança com nenhuma personagem conhecida). É retrada também a diferença entre as festas das classe alta e baixa do Rio de Janeiro, algo novamente feito na história brasileira Os Penetras (1992) com arte de Carlos Edgar Herrero, e, em menor grau, em Festival de Rock (1991), com arte de Eli Marcos M. Leon. O desfile das escolas de samba está presente no clássico Um Paulista na Corte do Rei Momo (1973) de Saindenberg e Renato Vinicius Canini (aliás, o Zé Paulista foi uma personagem inventada por Canini na primeira história do Zé Carioca que escreveu e desenhou, 2 anos antes). A 5ª e última história do Zé Carioca é novamente brasileira e centra-se nos carros alegóricos das escolas de samba, intitulando-se Afonsinho, o Carnavalesco! (2000), com arte de Dave Santana e José Wilson Magalhães. É a mais divertida das cinco.

Do Brasil chega ainda uma história do Morcego Vermelho, Um Parque Nada Divertido (1978) de Gérson L. B. Teixeira e Carlos Hedgar Herrero, uma de Chiquinho e Francisquinho de Arthur Faria Jr. e Roberto O. Fukue (trata-se de uma das histórias integrada numa sub-série em que Francisquinho se porta mal), intitulada O Duende Traquinas (O Duende Aprontão, 1986) e 2 do Donald e 1 do Mickey. Todas estas 3 histórias têm a característica de terem tido um tratamento diferente de colorização, tornando a arte menos bidimensional com o jogo de sombras e de volume aparente. No entanto, ou a impressão é pouco feliz ou o papel não é o indicado, uma vez que a maioria das vezes parece que os desenhos estão apenas sujos, dado os cinzentos se encontrarem demasiado pronunciados. Neste trio inclui-se O Festeiro (2000) de Teixeira e Aparecido Norberto, com arte-finalização de Nelson Pereira (1ª página) e João Anselmo (seguintes), O Arraial do Peninha de Teixeira e Leon, com arte-finalização de Antônio de Lima (passada nas festas juninas) e Uma Festa Muito Doida (2000), com argumento de Teixeira e desenhos de Fukue (também passada nas mesmas festas; se não reconhecerem as tradições da festa de S. João no Porto, fica o aviso de que as festas juninas brasileiras apresentam costumes diferentes, sendo inclusivamente frequente as pessoas vestirem-se de caipiras, isto é, as pessoas com uma vida campestre rústica). Concluindo, nenhuma destas 5 histórias brasileiras se passa no Carnaval, embora em menor ou maior grau haja foliões.

Algo extremamente bizarro é O Rei das Partidas (1. april-plageånden, 2000) da autoria de Per Erik Hedman e Vicar. Apesar de se referir ao dia 1 de Abril, a 5ª vinheta tem o calendário alterado para o Domingo e Segunda-Feira de Carnaval deste ano, indicando que este dia é o Dia dos Palermas e nele se pregam partidas... Não havia necessidade de tal, pois já estava estabelecido que o volume não era só sobre o Carnaval.

Finalmente, da Itália chegam 2 histórias. A Nova Tese (Il grande perché, 1999) de Augusto Macchetto e Marina Baggio (que nos tenta convencer que o Prof. Ludovico faz muitas teses de doutoramento por adorar dar festas em casa para as comemorar) e A Nova Sede (Club caro club, 1995) da sub-série Diário da Margarida, de Carlo Panaro e Claudio Panarese.

Em suma, uma publicação com histórias de nível desigual, mas apenas com 1 ou outra completamente dispensável.

Disney Especial #230: Os Foliões
(vários autores)
Edimpresa, Fevereiro de 2006 (Portugal)
128 pp, brochado
DL 126 646/98


Posted at 11:24 by enanenes
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27.2.06
Box Office Poison

ref.094/06

Em 1996, a Antarctic começou a publicar periodicamente a revista Box Office Poison da autoria de Alex Robinson, tendo a história terminado no #21. Pouco tempo depois, a Top Shelf publicou esse material sob o formato de um livro com 608 páginas. Foi nessa altura que Robinson ganhou o Eisner Award for Talent Deserving of Wider Recognition. O livro também esteve nomeado em 2001 para vários prémios, incluindo os Eisner e os Ignatz. Mas seria em 2005 que venceria um prémio, mais propriamente a sua tradução francesa, o Prix du Premier Album em Angoulême.

Esta 3ª impressão de 2005 conta com uma nova capa e um melhor papel que as anteriores. E as vendas não devem ter sido más, pois uma 4ª tiragem chegou às livrarias este mês.

Esta novela gráfica acompanha as vidas de Sherman, Dorothy, Ed, Stephen, Jane e Mr. Flavor, com diálogos completamente credíveis e deliciosos entre as personagens. Os temas abordados são os mundanos - empregos detestados, amor, sexo, álcool, tabaco, apartamentos desarrumados, amizade, animais de estimação, namoradas (e a sua falta!), segredos do passado, aspirações frustadas, traições, banda desenhada... Aliás, a crítica às majors norte-americanas e aos comics em geral nos EUA é algo completamente irresistível de ler...

Mas apesar de serem temas extraídos do quotidiano de qualquer um de nós, Robinson consegue que nos interessemos pelas personagens por si criadas, mesmo que nem gostemos de todas elas. Centenas de páginas depois, o final acaba por nos apanhar algo desprevenidos. Terminou? Já? Não podemos mais seguir a vida destas pessoas, depois de termos ultrapassado os complexos em relação a qualquer tipo de voyeurismo? Temo-nos de contentar com breves descrições do que aconteceu a cada um? Ao contrário da vida real, aqui não há tempo para o desmame ou de se instalar a erosão de que o livro fala, neste caso do leitor com a novela. E quase nem conseguimos acreditar que alguns dos nossos mais recentes conhecidos tenham um "final" feliz. Mas só alguns...

Box Office Poison (#1-21, 1996-2001)
Alex Robinson
Top Shelf, 2005 (EUA)
608 pp, brochado
ISBN 1-891830-19-8


Posted at 14:41 by enanenes
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26.2.06
B.P.R.D.

ref.090-093/06

Hellboy é sem dúvida alguma a personagem mais famosa das criadas por Mike Mignola. Não será, portanto de estranhar, que os desejos de Mignola de expandir o universo de Hellboy viessem a ser concretizados. O spin-off de maior sucesso foi B.P.R.D.  (leia-se Bureau for Paranormal Research and Defense), a organização para a qual Hellboy trabalha.

Hollow Earth & Other Stories, o 1º TPB, mostra-nos inclusivamente a primeira história do B.P.R.D. sem Hellboy, Drums of the Dead de Brian McDonald e Derek Thompson, publicada num one-shot de 1998 (com uma segunda história protagonizada por Hellboy). O protagonista era Abe Sapien e estava dado o primeiro passo. No ano seguinte, além do aparecimento de Hellboy Junior, publicou-se uma história curta de B.P.R.D. novamente protagonizada por Abe, onde é contada a reanimação de Roger (Abe Sapien versus Science de Mignola e Matt Smith), bem como uma história de um novo herói dos anos 30, Lobster Johnson (The Killer in my Skull dos mesmos autores). Esta personagem foi bem acolhida pelos leitores, tendo voltado a surgir na seguinte mini-série de Hellboy, Conqueror Worm. E é com esta mini-série que um novo fôlego é dado a Hellboy. Ele abandona o B.P.R.D.! Hollow Earth, a primeira mini-série de B.P.R.D., com argumento de Mignola, Christopher Golden e Tom Sniegoski e desenhos de Ryan Sook, indica o caminho que se resolveu trilhar após a saída de Hellboy. Reduzidos a Abe e Roger, além da Dra. Kate Corrigan, Johann Kraus é a nova aquisição de uma equipa prestes a desmoronar. No entanto, a missão seguinte é irresistível: salvar a sua anterior colega Liz Sherman. Após esta mini-série em 3 números, a continuidade da B.P.R.D. foi assegurada por 5 one-shots, publicados no ano seguinte.

O 2º TPB, The Soul of Venice & Other Stories, reúne essas 5 histórias independentes, cada uma com a sua equipa criativa: Miles Gunther, Michael Avon Oeming e Mignola (The Soul of Venice), Bryan Augustyn e Guy Davis (Dark Waters), Geoff Johns, Scott Kolins e Dave Stewart (Night Train), Joe Harris e Adam Pollina (There's Something Under my Bed) e Mignola e Cameron Stewart (Another Day at the Office). Publicados estes 2 TPB e tendo tido uma boa aceitação pelo público, Mignola decidiu dar-lhes um novo rumo.

No 3º TPB, Plague of Frogs, já está compilado o trabalho em que Mignola assume em pleno o argumento do B.P.R.D., sendo a arte entregue a Davis e planeando-se uma série de mini-séries, com um tratamento semelhante ao que Mignola reservava até então para Hellboy. E o argumento explora não só os acontecimentos que tiveram lugar na primiera mini-série de Hellboy, como começa a desvendar a origem de Abe.

Para a mini-série seguinte, compilada no 4º TPB, The Dead, John Arcudi une-se a Mignola no argumento, mantendo-se Davis na arte. A mini dá continuidade aos acontecimentos passados na saga anterior, trazendo ainda duas mudanças à equipa: uma nova base e um novo chefe, Benjamin Daimio, entendido necessário com o afastamento temporário de Abe e Kate, paralelamente a investigar a origem daquele.

Após The Dead, a equipa criativa continuou a desenvolver a praga dos sapos em The Black Flame (mini-série em 6 edições ainda não compilada em TPB). Entretanto, uma nova mini-série, intitulada The Universal Machine começa a ser publicada em Março.

O B.P.R.D. tem vindo assim não só a agradar aos leitores que gostam de ler aventuras com elementos paranormais como àqueles que gostam de acompanhar a evolução de personagens - cada vez mais ricas - e as relações entre si. Conseguiu também colocar a participação de Hellboy no Bureau para um passado remoto, vingando por si só.

B.P.R.D. TPB 1-4
Dark Horse (EUA)
brochados:

=1=
Hollow Earth & Other Stories (Hollow Earth #1-3, 2002; Hollow Earth teaser, 2001-2; The Killer in my Skull, 1999; Abe Sapien versus Science, 1999; Drums of the Dead, 1998)
(vários autores)
2003
120 pp
ISBN  1-56971-862-8

=2=
The Soul of Venice & Other Stories (The Soul of Venice, 2003; Dark Waters, 2003; Night Train, 2003; There's Something Under my Bed, 2003; Another Day at the Office, 2003)
(vários autores)
2004
128 pp
ISBN  1-59307-132-9

=3=
Plague of Frogs (#1-5, 2004)
Mike Mignola & Guy Davis
2005
144 pp
ISBN 1-59307-288-0

=4=
The Dead (The Dead #1-5, 2004-5; Born Again, 2004)
Mike Mignola, John Arcudi & Guy Davis
2005
152 pp
ISBN 1-59307-380-1


Posted at 11:33 by enanenes
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25.2.06
Sandman Mistery Theatre

ref.087-089/06

Sandman Mystery Theatre foi uma das muitas séries que as vendas do Sandman de Neil Gaiman originaram, tendo sido publicadas 70 revistas (além de um anual e um especial) entre 1993 e 1998. Esta série foca-se em Wesley Dodds, o Sandman da Era de Ouro dos comics, tendo surgido em 1939, baseado nas histórias de detectives da pulp fiction dos anos 30. Sem superpoderes, com uma pistola exótica que liberta um gás que obriga os inquiridos a dizer a verdade e uma máscara protectora de gases que sobressai no seu vestuário composto por chapéu, gabardine, fato e gravata, este é o Sandman original.

Matt Wagner foi o argumentista dos primeiros 12 números, sendo o responsável pela nova versão da antiga personagem, passando a dividir tal tarefa com Steven T. Seagle a partir do #13. Foi também a partir desse número que Guy Davis - responsável pela arte dos primeiros 4 números - assume definitivamente essa posição, depois de uma experiência em atribuir um diferente desenhador a cada saga de 4 números (John Watkiss e R. G. Taylor).

A nova origem destina-se a leitores mais maduros, numa espécie de policial noir ambientado numa decadente Nova Iorque do final dos anos 30, após a Depressão, entre gangsters e jovens mulheres da alta sociedade. Wesley Dodds não é o único protagonista desta série, compartilhando tal sorte com Dian Belmont, uma mulher à frente do seu tempo, que adora a boémia nocturna e tem um dom natural para a investigação. O leque de personagens secundários é rico e os argumentos excelentes, misturando o mistério à caracterização da época. A arte cumpre em pleno o seu objectivo.

Algumas das capas originais - também reproduzidas - são de uma beleza extraordinária, fotografadas e trabalhadas por Gavin Wilson e Richard Brunning.

A DC lançou recentemente 3 TPB com os 4 primeiros arcos: 1) The Tarantula; 2) The Face and The Brute; 3) The Vamp. Esperemos que os continue a lançar, pois as personagens são extremamente envolventes e os autores não se coibiram de abordar temas como a pedofilia, o racismo ou a homossexualidade feminina, sem que tal surgisse de um modo forçado. Uma das grandes séries da Vertigo!

Sandman Mistery Theatre TBP 1 a 3 (inclui mensais #1 a 16, 1993-4)
(vários autores)
DC / Vertigo, 2004-5 (EUA)
112 + 208 + 104 pp, brochados
ISBN 1-56389-195-6, -4012-0345-0 & -0718-9


Posted at 12:07 by enanenes
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