1.3.06
Hiper Hiper Disney 82

ref.096/06

Não há fome que não dê fartura. Se entre o Hiper Hiper Disney #80 e o #81 se passaram 5 meses, entre este último e o #82 apenas decorreu 1 mês.

Como é habitual nos cartonados, nenhuma referência é feita ao autor da capa. Este novo volume compila as revistas Hiper Disney Ano 15 (leia-se 2003) #12 e Ano 16 (leia-se 2004) #2. Para quem não adquiriu estes volumes na altura, que histórias poderão justificar a aquisição deste livro? Destaquemos apenas algumas...

A primeira revista contém histórias desenhadas por autores consagrados, sejam os veteranos Tony Strobl em Um Substituto muito Astuto (The Replacement, 1971) e Massimo de Vita em O Detective Electrónico (Il detective elettronico, 1973), seja o mais recente VIcar em Perdido no Espaço (And i kredsløb, 2001).

Por outro lado, contém várias aventuras passadas em momentos remotos da nossa História, sejam eles reais, fictícios ou baseados na nossa literatura. A Ilha do Tesourão (1984) é uma paródia ao clássico A Ilha do tesouro da sub-série brasileira de paródias interpretadas pelo Peninha, ao qual se juntam Donald, Patinhas, Maga Patalójika e Biquinho. Os seus autores foram Saindenberg e Euclides K. Miyaura. É também apresentada a saga do Descobrimento do Brasil com o Zé Carioca, em 7 partes, com argumento de Gérson L. B. Teixeira, desenhos de Gustavo Machado, arte-final de Antônio de Lima e colorização de Donizeti Amorin. A propósito do Zé, reproduz-se também uma das poucas histórias passadas na época dos heróis de capa e espada em que assume a identidade de Cavaleiro Verde - A Grande Peleja (1995) de Alexandre Dias e Gustavo Machado. Já no século XVIII, assistimos às aventuras de Don Donaldo e A Intriga Atlética (Pablo Paperino e l'intrigo della quadrenga, 2002) de Diego Fasano e Andrea Ferraris.

A 2ª revista também tem autores de renome: Romano Scarpa e os patos em Operação Beata (I "desperados" di Paperopoli, 1973) e O Crocodilo Dourado (L'alligatore d'oro, 1972), sendo esta última arte-finalizada por Giorgio Cavazzano; Massimo de Vita e Indiana Pateta em O Ídolo dos Cobardes (L'idolo dei Fifones, 2002); Jack Bradbury e os Três Porquinhos em Cozinheiros Manhosos (The New Cooks, 1979) e Chiquinho e Francisquinho em As Maçãs da Discórdia (Learning to Share, 1975).

Para os que gostaram da visita ao passado na revista anterior, também esta revista traz uma história passada na Grécia Antiga com o Mickey, intitulada O Tesouro de Cnosso (Il tesoro di Cnosso, 2002) de Giorgio Pezzin e Paolo Mottura.

Oportunidade ainda para ver o Alvinho em A Nota Certa (1978) de Del Connell e Manuel Gonzales, companheiro de Chiquinho nas tiras cómicas do Mickey publicadas nos jornais norte-americanos, bem como a (julgo eu) única aparição d' As Metralhinhas (The Beagle Babes, 1969), de Joan Carey, desinspirada versão feminina dos Metralhinhas para se degladiarem com as sobrinhas da Margarida.

Motivos de sobra, portanto, para não deixar escapar novamente estas histórias...

Hiper Hiper Disney #82 (inclui Hiper Disney Ano 15 #12 e Ano 16 #2, 2003-4)
(vários autores)
Edimpresa, Fevereiro de 2004 (Portugal)
448 pp, cartonado
CB 5 603846 711212 00081


Posted at 23:06 by enanenes
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28.2.06
Os Foliões

ref.095/06

Novo ano, vida nova? O preço do Disney Especial manteve-se mas o número de páginas diminuiu. O logotipo, alterado o ano passado, manteve-se, assim como o grafismo da lombada. Trata-se da revista periódica Disney portuguesa mais antiga em circulação (as anteriores foram todas canceladas), alcançando este mês os 21 anos.

Esta revista bimestral distingue-se das demais por apresentar uma altura superior em 1,5cm. Poder-se-ia pensar que, deste modo, as histórias já publicadas anteriormente poderiam ser melhor apreciadas neste formato. No entanto, a largura idêntica às demais revistas, colocar-nos-ia a suspeição de que, se assim fosse, a arte ficaria desproporcionada... Então, se as pranchas apresentam as mesmas dimensões, para que serve o 1,5cm extra? Na verdade, é infundado, uma vez que apenas aumenta a margem livre superior e inferior.

Das 13 histórias reproduzidas, apenas uma tem o selo de história inédita (já agora, com tanta margem livre, era necessário tal selo estar sobre a 1ª vinheta?). Trata-se de uma história holandesa do Zé Carioca (a personagem mais frequentemente utilizada neste número ou não aludisse ao Carnaval), intitulada O Amigo do Presidente (Aanslag op president, 2000) de Frank Joker e José Colomer Fonts. Joker retrata o Brasil um pouco como uma República das Bananas. Por outro lado, os amigos do Zé não são também os habituais, não sendo designados (ainda poderíamos pensar que um deles seria a Rosinha, mas a ave negra é completamente diferente do Nestor e nos outros amigos não se encontram traços de semelhança com nenhuma personagem conhecida). É retrada também a diferença entre as festas das classe alta e baixa do Rio de Janeiro, algo novamente feito na história brasileira Os Penetras (1992) com arte de Carlos Edgar Herrero, e, em menor grau, em Festival de Rock (1991), com arte de Eli Marcos M. Leon. O desfile das escolas de samba está presente no clássico Um Paulista na Corte do Rei Momo (1973) de Saindenberg e Renato Vinicius Canini (aliás, o Zé Paulista foi uma personagem inventada por Canini na primeira história do Zé Carioca que escreveu e desenhou, 2 anos antes). A 5ª e última história do Zé Carioca é novamente brasileira e centra-se nos carros alegóricos das escolas de samba, intitulando-se Afonsinho, o Carnavalesco! (2000), com arte de Dave Santana e José Wilson Magalhães. É a mais divertida das cinco.

Do Brasil chega ainda uma história do Morcego Vermelho, Um Parque Nada Divertido (1978) de Gérson L. B. Teixeira e Carlos Hedgar Herrero, uma de Chiquinho e Francisquinho de Arthur Faria Jr. e Roberto O. Fukue (trata-se de uma das histórias integrada numa sub-série em que Francisquinho se porta mal), intitulada O Duende Traquinas (O Duende Aprontão, 1986) e 2 do Donald e 1 do Mickey. Todas estas 3 histórias têm a característica de terem tido um tratamento diferente de colorização, tornando a arte menos bidimensional com o jogo de sombras e de volume aparente. No entanto, ou a impressão é pouco feliz ou o papel não é o indicado, uma vez que a maioria das vezes parece que os desenhos estão apenas sujos, dado os cinzentos se encontrarem demasiado pronunciados. Neste trio inclui-se O Festeiro (2000) de Teixeira e Aparecido Norberto, com arte-finalização de Nelson Pereira (1ª página) e João Anselmo (seguintes), O Arraial do Peninha de Teixeira e Leon, com arte-finalização de Antônio de Lima (passada nas festas juninas) e Uma Festa Muito Doida (2000), com argumento de Teixeira e desenhos de Fukue (também passada nas mesmas festas; se não reconhecerem as tradições da festa de S. João no Porto, fica o aviso de que as festas juninas brasileiras apresentam costumes diferentes, sendo inclusivamente frequente as pessoas vestirem-se de caipiras, isto é, as pessoas com uma vida campestre rústica). Concluindo, nenhuma destas 5 histórias brasileiras se passa no Carnaval, embora em menor ou maior grau haja foliões.

Algo extremamente bizarro é O Rei das Partidas (1. april-plageånden, 2000) da autoria de Per Erik Hedman e Vicar. Apesar de se referir ao dia 1 de Abril, a 5ª vinheta tem o calendário alterado para o Domingo e Segunda-Feira de Carnaval deste ano, indicando que este dia é o Dia dos Palermas e nele se pregam partidas... Não havia necessidade de tal, pois já estava estabelecido que o volume não era só sobre o Carnaval.

Finalmente, da Itália chegam 2 histórias. A Nova Tese (Il grande perché, 1999) de Augusto Macchetto e Marina Baggio (que nos tenta convencer que o Prof. Ludovico faz muitas teses de doutoramento por adorar dar festas em casa para as comemorar) e A Nova Sede (Club caro club, 1995) da sub-série Diário da Margarida, de Carlo Panaro e Claudio Panarese.

Em suma, uma publicação com histórias de nível desigual, mas apenas com 1 ou outra completamente dispensável.

Disney Especial #230: Os Foliões
(vários autores)
Edimpresa, Fevereiro de 2006 (Portugal)
128 pp, brochado
DL 126 646/98


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27.2.06
Box Office Poison

ref.094/06

Em 1996, a Antarctic começou a publicar periodicamente a revista Box Office Poison da autoria de Alex Robinson, tendo a história terminado no #21. Pouco tempo depois, a Top Shelf publicou esse material sob o formato de um livro com 608 páginas. Foi nessa altura que Robinson ganhou o Eisner Award for Talent Deserving of Wider Recognition. O livro também esteve nomeado em 2001 para vários prémios, incluindo os Eisner e os Ignatz. Mas seria em 2005 que venceria um prémio, mais propriamente a sua tradução francesa, o Prix du Premier Album em Angoulême.

Esta 3ª impressão de 2005 conta com uma nova capa e um melhor papel que as anteriores. E as vendas não devem ter sido más, pois uma 4ª tiragem chegou às livrarias este mês.

Esta novela gráfica acompanha as vidas de Sherman, Dorothy, Ed, Stephen, Jane e Mr. Flavor, com diálogos completamente credíveis e deliciosos entre as personagens. Os temas abordados são os mundanos - empregos detestados, amor, sexo, álcool, tabaco, apartamentos desarrumados, amizade, animais de estimação, namoradas (e a sua falta!), segredos do passado, aspirações frustadas, traições, banda desenhada... Aliás, a crítica às majors norte-americanas e aos comics em geral nos EUA é algo completamente irresistível de ler...

Mas apesar de serem temas extraídos do quotidiano de qualquer um de nós, Robinson consegue que nos interessemos pelas personagens por si criadas, mesmo que nem gostemos de todas elas. Centenas de páginas depois, o final acaba por nos apanhar algo desprevenidos. Terminou? Já? Não podemos mais seguir a vida destas pessoas, depois de termos ultrapassado os complexos em relação a qualquer tipo de voyeurismo? Temo-nos de contentar com breves descrições do que aconteceu a cada um? Ao contrário da vida real, aqui não há tempo para o desmame ou de se instalar a erosão de que o livro fala, neste caso do leitor com a novela. E quase nem conseguimos acreditar que alguns dos nossos mais recentes conhecidos tenham um "final" feliz. Mas só alguns...

Box Office Poison (#1-21, 1996-2001)
Alex Robinson
Top Shelf, 2005 (EUA)
608 pp, brochado
ISBN 1-891830-19-8


Posted at 14:41 by enanenes
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26.2.06
B.P.R.D.

ref.090-093/06

Hellboy é sem dúvida alguma a personagem mais famosa das criadas por Mike Mignola. Não será, portanto de estranhar, que os desejos de Mignola de expandir o universo de Hellboy viessem a ser concretizados. O spin-off de maior sucesso foi B.P.R.D.  (leia-se Bureau for Paranormal Research and Defense), a organização para a qual Hellboy trabalha.

Hollow Earth & Other Stories, o 1º TPB, mostra-nos inclusivamente a primeira história do B.P.R.D. sem Hellboy, Drums of the Dead de Brian McDonald e Derek Thompson, publicada num one-shot de 1998 (com uma segunda história protagonizada por Hellboy). O protagonista era Abe Sapien e estava dado o primeiro passo. No ano seguinte, além do aparecimento de Hellboy Junior, publicou-se uma história curta de B.P.R.D. novamente protagonizada por Abe, onde é contada a reanimação de Roger (Abe Sapien versus Science de Mignola e Matt Smith), bem como uma história de um novo herói dos anos 30, Lobster Johnson (The Killer in my Skull dos mesmos autores). Esta personagem foi bem acolhida pelos leitores, tendo voltado a surgir na seguinte mini-série de Hellboy, Conqueror Worm. E é com esta mini-série que um novo fôlego é dado a Hellboy. Ele abandona o B.P.R.D.! Hollow Earth, a primeira mini-série de B.P.R.D., com argumento de Mignola, Christopher Golden e Tom Sniegoski e desenhos de Ryan Sook, indica o caminho que se resolveu trilhar após a saída de Hellboy. Reduzidos a Abe e Roger, além da Dra. Kate Corrigan, Johann Kraus é a nova aquisição de uma equipa prestes a desmoronar. No entanto, a missão seguinte é irresistível: salvar a sua anterior colega Liz Sherman. Após esta mini-série em 3 números, a continuidade da B.P.R.D. foi assegurada por 5 one-shots, publicados no ano seguinte.

O 2º TPB, The Soul of Venice & Other Stories, reúne essas 5 histórias independentes, cada uma com a sua equipa criativa: Miles Gunther, Michael Avon Oeming e Mignola (The Soul of Venice), Bryan Augustyn e Guy Davis (Dark Waters), Geoff Johns, Scott Kolins e Dave Stewart (Night Train), Joe Harris e Adam Pollina (There's Something Under my Bed) e Mignola e Cameron Stewart (Another Day at the Office). Publicados estes 2 TPB e tendo tido uma boa aceitação pelo público, Mignola decidiu dar-lhes um novo rumo.

No 3º TPB, Plague of Frogs, já está compilado o trabalho em que Mignola assume em pleno o argumento do B.P.R.D., sendo a arte entregue a Davis e planeando-se uma série de mini-séries, com um tratamento semelhante ao que Mignola reservava até então para Hellboy. E o argumento explora não só os acontecimentos que tiveram lugar na primiera mini-série de Hellboy, como começa a desvendar a origem de Abe.

Para a mini-série seguinte, compilada no 4º TPB, The Dead, John Arcudi une-se a Mignola no argumento, mantendo-se Davis na arte. A mini dá continuidade aos acontecimentos passados na saga anterior, trazendo ainda duas mudanças à equipa: uma nova base e um novo chefe, Benjamin Daimio, entendido necessário com o afastamento temporário de Abe e Kate, paralelamente a investigar a origem daquele.

Após The Dead, a equipa criativa continuou a desenvolver a praga dos sapos em The Black Flame (mini-série em 6 edições ainda não compilada em TPB). Entretanto, uma nova mini-série, intitulada The Universal Machine começa a ser publicada em Março.

O B.P.R.D. tem vindo assim não só a agradar aos leitores que gostam de ler aventuras com elementos paranormais como àqueles que gostam de acompanhar a evolução de personagens - cada vez mais ricas - e as relações entre si. Conseguiu também colocar a participação de Hellboy no Bureau para um passado remoto, vingando por si só.

B.P.R.D. TPB 1-4
Dark Horse (EUA)
brochados:

=1=
Hollow Earth & Other Stories (Hollow Earth #1-3, 2002; Hollow Earth teaser, 2001-2; The Killer in my Skull, 1999; Abe Sapien versus Science, 1999; Drums of the Dead, 1998)
(vários autores)
2003
120 pp
ISBN  1-56971-862-8

=2=
The Soul of Venice & Other Stories (The Soul of Venice, 2003; Dark Waters, 2003; Night Train, 2003; There's Something Under my Bed, 2003; Another Day at the Office, 2003)
(vários autores)
2004
128 pp
ISBN  1-59307-132-9

=3=
Plague of Frogs (#1-5, 2004)
Mike Mignola & Guy Davis
2005
144 pp
ISBN 1-59307-288-0

=4=
The Dead (The Dead #1-5, 2004-5; Born Again, 2004)
Mike Mignola, John Arcudi & Guy Davis
2005
152 pp
ISBN 1-59307-380-1


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25.2.06
Sandman Mistery Theatre

ref.087-089/06

Sandman Mystery Theatre foi uma das muitas séries que as vendas do Sandman de Neil Gaiman originaram, tendo sido publicadas 70 revistas (além de um anual e um especial) entre 1993 e 1998. Esta série foca-se em Wesley Dodds, o Sandman da Era de Ouro dos comics, tendo surgido em 1939, baseado nas histórias de detectives da pulp fiction dos anos 30. Sem superpoderes, com uma pistola exótica que liberta um gás que obriga os inquiridos a dizer a verdade e uma máscara protectora de gases que sobressai no seu vestuário composto por chapéu, gabardine, fato e gravata, este é o Sandman original.

Matt Wagner foi o argumentista dos primeiros 12 números, sendo o responsável pela nova versão da antiga personagem, passando a dividir tal tarefa com Steven T. Seagle a partir do #13. Foi também a partir desse número que Guy Davis - responsável pela arte dos primeiros 4 números - assume definitivamente essa posição, depois de uma experiência em atribuir um diferente desenhador a cada saga de 4 números (John Watkiss e R. G. Taylor).

A nova origem destina-se a leitores mais maduros, numa espécie de policial noir ambientado numa decadente Nova Iorque do final dos anos 30, após a Depressão, entre gangsters e jovens mulheres da alta sociedade. Wesley Dodds não é o único protagonista desta série, compartilhando tal sorte com Dian Belmont, uma mulher à frente do seu tempo, que adora a boémia nocturna e tem um dom natural para a investigação. O leque de personagens secundários é rico e os argumentos excelentes, misturando o mistério à caracterização da época. A arte cumpre em pleno o seu objectivo.

Algumas das capas originais - também reproduzidas - são de uma beleza extraordinária, fotografadas e trabalhadas por Gavin Wilson e Richard Brunning.

A DC lançou recentemente 3 TPB com os 4 primeiros arcos: 1) The Tarantula; 2) The Face and The Brute; 3) The Vamp. Esperemos que os continue a lançar, pois as personagens são extremamente envolventes e os autores não se coibiram de abordar temas como a pedofilia, o racismo ou a homossexualidade feminina, sem que tal surgisse de um modo forçado. Uma das grandes séries da Vertigo!

Sandman Mistery Theatre TBP 1 a 3 (inclui mensais #1 a 16, 1993-4)
(vários autores)
DC / Vertigo, 2004-5 (EUA)
112 + 208 + 104 pp, brochados
ISBN 1-56389-195-6, -4012-0345-0 & -0718-9


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24.2.06
Atenção, Conteúdo sobre Pressão

ref.086/06

Após a publicação do 18º volume da série Baby Blues de Rick Kirkman e Jerry Scott no trimestre passado, eis que surge o 19º, intitulado Atenção, Conteúdo sobre Pressão.

A Bizâncio atinge assim o número de 21 álbuns publicados, entre os 19 numerados e as 2 antologias a cores. Restam apenas 5 antologias e 1 livro (além dos fora de série day to day calendars de 2005 e 2006 e 1 livro de bolso) para completar o que já foi editado até ao momento nos EUA.

Wanda & Darryl e as suas desventuras nos cuidados parentais. Ou Zoe, Ham & Wren as suas travessuras perante os progenitores. Seja qual for a perspectiva que se prefira, o resultado é sempre hilariante. Os leitores não ficam indiferentes: os pais garantem ser tudo verdade, os casais à espera do primeiro bebé ficam receosos, os casais sem filhos acreditam ser um bom anticoncepcional e os solteiros riem-se inconsequentemente sem saber o que os espera...

Ou não será bem assim... Afinal, continuam a nascer bebés, entre os leitores fãs de Baby Blues! Em vez de rirem daquele casal e seus filhos, passam a rir com eles...

Atenção, Conteúdo sobre Pressão (Playdate: Category 5, 2004)
Baby Blues vol. 19
Rick Kirkman & Jerry Scott
Bizâncio, 2006 (Portugal)
130 pp, brochado
ISBN 972-55-0287-7


Posted at 13:48 by enanenes
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23.2.06
Pato Donald vol. 19

ref.085/06

Novo ano, vida nova? Não para esta série, onde não existem novidades. Mantém o grafismo na sua capa, lombada, contracapa e logotipo. A não renovação do grafismo não é de espantar, pois prende-se com o facto de ter sido uma das revistas pioneiras a fazê-lo o ano passado.

O volume 19 destas compilações de capa dura inclui as revistas mensais Pato Donald #91, 94, 105 e 108, originalmente publicados entre 2002 e 2004. Tal como costuma acontecer com os cartonados, nenhuma informação é dada relativamente ao autor da capa do livro.

No #91, o destaque vai para a arte de Vicar n' A Maldição Cigana (Forfulgt af uheld, 2001) com argumento de Paul Halas, onde o Donald tenta fugir a uma maldição, metendo-se cada vez mais em mais sarilhos.

O #94 tem muitos motivos de destaque. Vizinhos Explosivos (Bombesikker ballade, 2001) é um tributo de Daan Jipes a Carl Barks e as brigas entre Donald e Silva. Lá no Fundo... (Under jorden, 2002) conta com a bonita arte de Tino Santanach Hernandez e argumento de Dave Rawson (sim, o mesmo de Chiaroscuro). Margarinofobia (Masser af margarine, 2002) apresenta mais arte de Vicar e argumento de Carol e Pat McGreal (sim, o mesmo de Chiaroscuro). A História Repete-se (Tilbage i tiden, 1998) com a arte de Vicar, desta feita com argumento de Janet Gilbert.

Há mais Vicar em 2 histórias do #105: Sem Palavras... (Ordtroldmanden, 2002) de Per Erik Hedman e Sorte no Armário (Pengeskabet, 2002) de Andreas Phil, além de uma história com arte de Tony Strobl intitulada Psst! (Shh, 1987) e outra com arte de José Colomer Fonts e argumento de Charlie Martin, em 2 partes, intitulada Perigo no Gelo (Ænder på glatis, 2000).

No #108, o destaque vai obviamente para Carl Barks nas histórias Fotógrafo Bom É Assim (Camera Crazy, 1944) e A Câmara do Futuro, bem como para a técnica narrativa de Marco Rota em Pato com Queda para a Água!

Uma boa selecção, portanto!

Pato Donald vol. 19 (Pato Donald #91, 94, 105, 108, 2002-2004)
(vários autores)
Edimpresa, 2006 (Portugal)
448 pp, cartonado
CB 5 603846 019387 00019


Posted at 18:06 by enanenes
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22.2.06
Chiaroscuro

ref.084/06

Os autores portugueses talvez associem o nome do autor Pat McGreal a algumas histórias publicadas nas revistas Disney. Juntamente com David Rawson criou o argumento de Chiaroscuro: The Private Lives of Leonardo da Vinci.

A mini-série de 10 números originalmente publicada entre 1995 e 1996 foi inclusivamente nomeada  para um Eisner em 96. O TPB editado 10 anos depois pela DC inclui a mini-série e 6 desenhos preliminares e/ou estudos de personagens de Chaz Truog, o desenhador da saga. São uma mais-valia porque permite-nos aperceber do belo trabalho de Truog. Infelizmente, a arte da série não se encontra no mesmo nível - embora se tenha de reconhecer a Truog a pesquisa exaustiva sobre o vestuário, a arquitectura e os cenários da época - , desconhecendo-se quem se deve culpar por tal - os prazos de entrega não permitiram o mesmo grau de detalhe a Truog ou a arte-finalização de Rafael Kayanan e/ou a colorização de Clem Robins e Lovern Kindzierski prejudicaram o rabalho de Truog?

Evidente é também o trabalho de pesquisa tido por McGreal e Rawson (o projecto iniciou-se 4 anos antes da publicação do 1º número) sobre a vida do mestre Leonardo da Vinci. Colocada na perspectiva de Salai, um jovem adoptado pelo grande renascentista, os autores optaram por produzir 10 capítulos fechados, embora uma outra narrativa se vá continuando a desenvolver em pano de fundo. Desconheço se foi a ausência de um caminho para o clímax com a resolução subsequente, mas a verdade é que finda a leitura fiquei um pouco decepcionado por parecer que apenas assisti a uma mera enumeração de acontecimentos. Talvez tal esteja associado a ser defrontado com um da Vinci demasiado envolto em situações que lhe são alheias e sobre as quais tem pouco ou nenhum controlo, quase como se passivamente cumprisse o seu papel, o que contrasta um pouco com a ideia que se tem do seu espírito inventivo.

Sem dúvida que os que apreciam este período da História, vão gostar de ver Maquiavel, um dos Bórgias ou Miguel Ângelo. E, sem dúvida que se fica a conhecer melhor a biografia de Leonardo, pois muitos dos acontecimentos correspondem à realidade.

Seja como for, há algo que é sublime. As 10 capas originais, reproduzidas também, de Stephen Jophn Phillips e Richard Bruning, tendo com base a fotografia. Profundamente belas e roçando, por vezes, o erotismo, não só se baseiam na história de cada capítulo, como são capazes de evocar as características das personagens de que nos vamos apercebendo com a leitura da saga.

Chiaroscuro: The Private Lives of Leonardo da Vinci (#1-10, 1995-6)
Pat McGreal, David Rawson & Chaz Truog
DC / Vertigo, 2005 (EUA)
264 pp, brochado
ISBN 1-4012-0498-8


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21.2.06
Pato Donald #130

ref.083/06

O 2º número deste ano do Pato Donald, o #130 desta 2ª série, apresenta uma capa da autoria dos italianos Marco Gervasio, Max Monteduro e Giorgio Cavazzano. Metade das histórias que contém são também italianas, havendo ainda espaço para 3 dinamarquesas e 1 brasileira.

Iniciando pelas italianas, O DVD de um milhão de euros (Il DVD da un milione de dollari, 2004) de Annamaria Durante e Luciano Milano ridicularia as obsessões de Donald. Milano utiliza um estilo para criar as personagens mais próximo do clássico que a recente escola italiana. Uma história mediana. Equipamento Racional (Equipaggiamento razionale, 2005) da série O Importante É Conhecermo-nos (L'importante è capirsi...), de Durante e Andrea Ferraris é mais uma daquelas histórias de 1 página que pretende (e apenas tal...) ser cómica. A Lua no Poço (La luna nel pozzo, 2004) de Rodolfo Cimino e Michelle Mazon parte de uma premissa interessante. O Presidente da Câmara resolve explusar Donald e Gastão de Patópolis devido às constantes lutas pela cidade. Envia-os então para a Lapónia. Apesar das desventuras dos patos até serem interessantes naquele país, o final da história deixou a desejar. Fazendo as Pazes (Alla riconquista di Paperino, 2004) coloca a Margarida a reconquistar o Donald, invertendo-se assim os habituais papeis. A ideia foi de Giorgio Salati e a arte de Francesco D'Ippolito. Engraçado.

Em relação às dinamarquesas, Encontro às Escuras (Blind makker, 2004) de Per Erik Hedman e Vicar, apesar de um argumento pouco imaginativo, destaca-se pela arte. Hedman e Vicar são ainda os autores de O Guarda-Costas (Stand-in for en stjerne, 2003), com uma história mais interessante - Donald é aparentemente contratado para guarda-costas de uma cantora lírica -, mas que fica aquém da arte. Willian van Horn é o responsável pelo argumento e arte de Empregado-Robô (Renlighed frem for alt, 2004), uma história enfadonha sobre um robot doméstico.

Com argumento de Marcelo Barreto e Eunice de Lacerda e a arte de Verci de Mello, o Pena das Cavernas - personagem brasileiro que coloca Peninha na Pré-História - surge em Usando o Coco (1983), uma divertida história em 3 pranchas que não recorre a balões de fala.

Em suma, um número que ficou pelo nível médio...

Pato Donald #130
(vários autores)
Edimpresa, Fevereiro de 2006 (Portugal)
96 pp, brochado
ISSN 0874-0607


Posted at 11:28 by enanenes
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20.2.06
The complete Darkham Vale

ref.082/06

Já abordei a arte de Jack Lawrence com Lions, Tigers and Bears. Previamente a este trabalho na Image, Lawrence foi o criador de Darkham Vale, sendo responsável pelo argumento, arte, colorização, letragem e o que mais houvesse para fazer, um trabalho que realizou para a editora britânica APComics.

Neste volume está incluído o primeiro arco com os 10 números da saga, bem como a primeira história curta de 6 páginas, uma espécie de aperitivo, publicado originalmente em Monster Club v.1 #4.

Darkham Vale originou uma espécie de fenómeno, começando a informação sobre esta série de uma pequena editora britânica a circular de boca em boca até, aos poucos, surgirem opiniões favoráveis da crítica especializada um pouco por todo o mundo. E as limitadas tiragens ainda aumentaram mais o fenómeno de culto.

Muito do soberbo trabalho que pude observar na arte de Lions..., já encontra em Darkham Vale as suas bases, tendo entretanto sofrido algum refinamento. Mas essencialmente está cá, indo beber aos anteriores trabalhos de animação do autor. Aliás, não deixa de ser curioso a sua primeira incursão na BD se iniciar com um épico de 240 páginas, integralmente assumido por si!

Quanto ao argumento, parte de uma simples premissa - o adolescente Ryan Harris muda-se com o pai para um novo local, estando ainda a resolver dentro de si o divórcio dos seus progenitores e culpando-se por isso. Mas Darkham Vale não é um local qualquer, nem o jovem Harris lá vai parar por acaso, vendo-se de repente atraído para uma luta entre o bem e o mal, com lobisomens, vampiros e outros seres fantásticos, competindo-lhe uma função primordial...

Apenas, uma nota final. Eu jamais compraria este livro pela capa. Não deixe que tal influencie o seu julgamento.

The complete Darkham Vale (#1 a 10 + preview em Monster Club v.1 #4, 2002)
Jack Lawrence
APComics, 2005 (UK)
240pp, brochado
ISBN 1-905071-13-2


Posted at 18:24 by enanenes
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