11.6.06
Caz Roman: Paisagens Americanas

ref.238/06

Joe G. Pinelli é um autor belga de 46 anos, tendo  sido um dos mais profícuos autores publicados em fanzines de banda desenhada nos anos 80 do século passado.

 

O álbum Caz Roman: Paisagens Americanas foi a base para uma exposição do autor em Portugal, inserida no Salão Lisboa de Ilustração e BD 2001.

 

Com um narrador na primeira pessoa, a vida de um imigrante europeu em Nova Iorque, nascido no início do século XX, é contada através de pequenos flashes da sua memória que graficamente se traduzem em duplas páginas de traços imprecisos para os pormenores, mas representativos do que se passou, tal qual a memória.

 

Somos convidados a partilhar as suas recordações e considerações sobre um século que abandonou (sim, o narrador avisa-nos no primeiro instante ter falecido no final do século XX), sejam os seus diferentes trabalhos braçais (mineiro, trabalhador da construção civil, pescador de baleias), sejam nos clubes nocturnos de jazz.

 

A escrita poética em muito contribui para que o leitor se envolva naquilo que está a ser narrado, enquanto a mente divaga pelas imagens retratadas.

 

E no final entende-se a referência a Caz Roman, título de um álbum turco de jazz cigano, interpretado por Mustafa Kandirali.

 

A obra foi premiada com o Troféu dos Editores Independentes no Festival do Livro de Grenoble, em 2001.

 

A título de curiosidade, refira-se que a revisão da tradução foi de Geraldes Lino.

 

Caz Roman: Paisagens Americanas (Caz Roman: Un Américain Paysage,2001)

Joe G. Pinelli

80 pp, brochado

Polvo / Bedeteca de Lisboa, 2002 (Portugal)

ISBN 972-8440-42-1


Posted at 16:02 by enanenes
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10.6.06
Pai Natal: Um Estudo Morfológico

ref.237/06

Se Derradé já contava com 2 obras publicadas na colecção Primata Comix (Fúria e Fava!), o #25 da referida colecção apresentava um regresso às origens, ou seja, uma colaboração entre Geral no argumento e Derradé na arte.

 

Fala-se em regresso às origens, uma vez que Derradé se iniciou na BD, através de fanzines e slimzines, com a dupla Produções de Marda, vulgo Geral e Derradé.

 

A proposta partiu de Rui Brito, o editor da Polvo, para conceberem um livro sobre o Pai Natal. E este foi o resultado: Pai Natal: Um Estudo Morfológico. Quem não deseja ter muitas revelações sobre o enredo, deve terminar aqui a leitura do presente texto.

 

O Pai Natal anda há algum tempo fora de circulação. E, como, por coincidência, o Natal coincide com o aniversário de Jesus, para animar a sua festa e devido ao habitual atraso dos Reis Magos, este elabora um plano para que o Pai Natal se recorde de quem é e qual a sua função, de modo a que distribua uns brindes pelos seus convidados. Pelo meio, bebe-se, fuma-se, recorre-se a prostitutas e assiste-se a um espectáculo da BadSummerBoys Band. Na contra-capa, Geral e Derradé ainda nos presenteiam com o Jogo do Pai Natal.

 

Trata-se da primeira obra da dupla publicada que não em fanzines, à qual se seguiu A 25, Sempre a Abril! Uma história revolucionária, também na Polvo.

 

Pai Natal: Um Estudo Morfológico

Geral & Derradé

Colecção Primata Comix #25
16 pp, agrafado

Polvo, 2001 (Portugal)
ISBN 972-8440-46-4


Posted at 15:42 by enanenes
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9.6.06
Humor Negro & Batas Brancas

ref.236/06

O francês Claude Serre (1938-1998) pertence a uma geração de desenhadores que surgiu nos anos 60 do século passado, em revistas como Hara-Kiri, Planète, Plexus, Lui e Periscope. Nesse período, dedica-se também a ilustrações para a publicidade, teatro e cinema.

Dez anos após o início da sua carreira como desenhador, a sua carreira sofre uma reviravolta com a publicação do presente livro, Humor Negro & Batas Brancas em 1972, por Jacques Glénat. Seguem-se publicações anuais temáticas que vão fazendo aumentar sucessivamente a sua popularidade.

Na realidade, o autor inventou um estilo de humor, no qual a observação do comportamente é completamente eficiente e o desenho de uma precisão atroz.

Dividido nos capítulos Bloco Operatório, Farmácia, Psiquiatria, Odontologia, Cinesiterapia e Clínica Geral, o humor negro de Serre não poupa as batas brancas, fazendo o leitor sorrir e, ocasionalmente, gargalhar. A ler, obrigatoriamente.

A título de curiosidade, refira-se que, apesar de ser conhecido pelo seu desenho humorístico, Serre também publicou outro tipo de desenhos, em revistas profissionais como La vie électrique.

Serre tornou-se popular a nível mundial, estando os seus trabalhos publicados em 14 línguas, apesar da maioria dos seus desenhos não necessitar de legenda. Faleceu a uma sexta-feira, 13.

Humor Negro & Batas Brancas (Humour Noir & Hommes en Blanc, 1972)
Serre
colecção: Humor com Humor se Paga #19
Dom Quixote, 1985 (Portugal)
64 pp, brochado
DL 7363/84


Posted at 15:43 by enanenes
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8.6.06
O Cavaleiro do Cartoon

ref.235/06

Em 2004, o Museu Nacional da Imprensa homenageou Augusto Cid, com a exposição O Cavaleiro do Cartoon, constituída por 123 obras suas.

Além dos cartoons, o catálogo inclui ainda uma extensa entrevista realizada por Luís Humberto Marcos, Director do MNI, a qual tenta cobrir mais de 45 anos de carreira do octagenário autor.

Quanto aos trabalhos aqui apresentados, foram realizados entre 1974 e 2003, registando críticas políticas ou sociais, nacionais ou internacionais. Parte da história do nosso país pós-25 de Abril está retratada por Cid, tornando esta antologia num documento histórico e sublinhando a necessidade imperativa de preservar a banda desenhada publicada na imprensa, esteja ela sob a forma de tiras ou cartoons.

É impossível ficar indiferente,

Augusto Cid - O Cavaleiro do Cartoon
Augusto Cid (textos de Luís Humberto Marcos e Jorge Sampaio)
Museu Nacional da Imprensa / Asa, 2004 (Portugal)
168 pp, brochado
ISBN 972-8806-02-7 / -41-3790-2


Posted at 15:22 by enanenes
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7.6.06
Proposition Player

ref.234/06

Apesar de Bill Willingham já estar ligado à banda desenhada desde os anos 80, foi, sem dúvida, quando começou a publicar os seus trabalhos na linha Vertigo da DC que se popularizou, nomeadamente com Fábulas (cujo 1º TPB foi editado pela Devir, em Portugal).

Proposition Player, também na Vertigo, antecedeu Fábulas em alguns anos. Com arte de Paul Guinan (com excepção, de 10 páginas do 1º comic, desenhadas por Willingham), as suas capas eram verdadeiras obras de arte nas mãos de John Bolton. Infelizmente, o TPB não contou com uma nova capa da autoria de Bolton (a sua autoria é de Willingham), mas as 6 capas encontram-se reproduzidas no interior do TPB.

Um proposition player, vulgarmente conhecido por prop, é um funcionário de um casino, cujo objectivo principal é jogar poker e ajudar a manter clientes suficientes numa mesa. E é esse o emprego de Joey Martin no Thunder Road Casino, em Las Vegas, um homem ambicioso e não muito simpático. No entanto, uma aposta entre colegas, que mais não seria do que uma brincadeira, torna-o o proprietário de 32 almas humanas... E Joey entra noutro tipo de jogo. É que, deste modo, torna-se um deus, ou não fosse este aquele que controla as almas dos mortais e providencia uma vida após a morte. Inicialmente abordado pelo Céu e o Inferno para lhes vender as suas almas, Joey decide fazer o seu próprio jogo, constituindo um panteão com antigas divindades mitológicas e tentando angariar mais almas para as suas causas. Estará Joey à altura desse jogo?

Uma obra que pode ter vários níveis de leitura, mas que entretém e diverte em todas elas. E se Fábulas permitiu que a DC se lembrasse de compilar esta mini-série em TPB, tanto melhor.

Proposition Player (inclui # 1-6, 1999-2000)
Bill Willingham & Paul Guinan
DC/Vertigo, 2003 (EUA)
144 pp, brochado
ISBN 1-56389-808-X


Posted at 13:36 by enanenes
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6.6.06
Off Road

ref.233/06

Sean Murphy tem um percurso relativamente curto nos comics, tendo já trabalhado com algumas das empresas mais conhecidas no ramo (DC, Dark Horse, Image e IDW).

No entanto, a editora que acolheu a sua primeira obra de autor (leia-se argumento, arte e letragem) foi a Oni. Off Road é uma obra baseada em eventos reais, que o autor dourou para aumentar o interesse do leitor sobre a mesma. Eis um resumo: Greg está a ter um óptimo dia. Não só o pai acabou de lhe oferecer um jipe amarelo totalmente novo, mas também se trata do dia que Trent, um dos seus melhores e mais antigos amigos, vem à cidade, numa pausa da faculdade. Pelo contrário, Trent não está bem humorado. A sua namorada, que o traía, deixou-o, deixando-o num estado miserável. O outro amigo deles, Brad, também não está muito melhor, tendo os últimos tempos sido passados aos socos com o pai. Brad e Greg estão convencidos que uma festa é a solução para todos, mas Trent tem outras ideias - está a sentir a necessidade de partir à aventura no novo jipe de Greg, por caminhos fora das estradas (off road). No entanto, as coisas não correm como previsto e, após sérias discussões, o trio acaba por se unir como nunca o tinha feito.

O livro acaba por ser uma descoberta da dinâmica deste grupo e dos laços entre eles, uma vez que, fora do seu elemento e em perigo, somente podiam contar com eles próprios e a sua persistência, sorte e afecto.

Como extra, nas páginas finais, encontram-se as cerca de 30 tiras cómicas do projecto da faculdade de Murphy, nos quais o tema de Off Road já subjacente. Bastante divertidos.

Se o traço de Murphy ten evoluído muito rapidamente, este seu primeiro argumento devidamente estruturado leva-nos a pensar no que o futuro reserva para este jovem a nível da banda desenhada.

Off Road
Sean Murphy
Oni, 2005 (EUA)
134 pp, brochado
ISBN 1-932664-30-0


Posted at 11:41 by enanenes
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5.6.06
Deus e Vós

Dieu et vous

ref.232/06

Deus e Vós foi a última incursão das Edições 70 na banda desenhada, mais concretamente na área do cartoon.

Nascido em 1925, o francês Piem (leia-se Pierre de Barrigue de Montvallon) tem várias obras publicadas no mercado francês, tendo-se tornado bastante familiar do grande público com as emissões televisivas satíricas de Le Petit Rapporteur (1975-1976, TF1) e La Lorgnette (1977, Antenne 2).

Em Deus e Vós, Piem divide a sua obra em 6 capítulos e uma conclusão. Os capítulos são denominados de: Da existência de Deus e do uso que dela podemos fazer; Da dúvida à certeza, passando pelos intermediários; Da utilização da fé ao serviço da educação das massas; A arte e a maneira de partilhar convicções; Do mistério em geral e dos abusos em particular; Deus: a forma e o fundo ao alcance de todos.

A frase introdutória de Piem não poderia ser mais actual (a propósito de tudo o que ultimamente se tem discutido sobre cartoons políticos): Deus tem sentido de humor; simplesmente faltam-lhe as oportunidades de sorrir.

Já ao leitor, não faltarão certamente motivos para sorrir com as situação retratadas por Piem, originem ou não as mesmas uma reflexão sobre a espiritualidade

Em Janeiro deste ano, Piem foi galardoado com o título de Commandeur da Ordem das Artes e Letras francesa.

Como curiosidade, registe-se que a letragem foi realizada por J. Machado-Dias.

Deus e Vós (Dieu et Vous, 1996)
Piem
Edições 70, 2004 (Portugal)
128 pp, brochado
ISBN 972-44-1215-6


Posted at 11:39 by enanenes
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4.6.06
Mônica 30 Anos

ref.231/06

As contas são fáceis: se a personagem Mônica do Maurício de Sousa foi criada em 1963, em 1993 tinha 30 anos. De modo a festejar tal ocasião, a editora Globo lançou a Edição de Aniversário Mônica 30 Anos, um álbum de capa mole com um formato deveras generoso (cerca de 27x19 cm).

O livro começa com os extras: uma introdução de Maurício sobre a génese da personagem, fotos das suas filhas em tenra idade (que inspiraram a Mônica, Magali e Maria Cebolinha), algumas capas da revista Mônica, desde 1970, ainda na editora Abril, à data da publicação, a sua transposição para o cinema, teatro, televisão e parques temáticos, as edições de revistas noutros países, uma entrevista fictícia com a personagem Mônica e uma entrevista real com a homónima filha do Maurício, entre outras curiosidades.

Interessantes são também os pin-ups desenhados por autores como Will Eisner (com o Spirit), Guido Crepax (com Valentina), Claudio Villa (com o Tex e seus pards), Nicola Mari (com Nathan Never), Gallieno Ferri (com Zagor e Chico), Corrado Roi (com Dylan Dog e Max), Giancarlo Alessandri (com Nathan Never e Java), Roberto Diso (com Mister No, onde além da Mônica, surgem muitos elementos da Turma), Silver (com Lupo Alberto e os seus amigos), Álvaro de Moya, André Le Blanc, Hugo Pratt (com Rasputin), Joe Kubert, Luis Zé, Ziraldo, Miguel Paiva, Milo Manara e Jim Davis (com o Garfield).

Entretanto, surgem as estórias. Começa-se com a primeira aparição da Mónica na tira cómica do Cebolinha, na altura publicada nos jornais. Do ponto de vista visual, as personagens eram bastante diferentes, podendo-se assistir ao longo do livro à evolução gráfica daquelas. E também a um desenvolvimento da personalidade de cada personagem. Não deixa de ser curioso notar que a Mônica surge como irmã do Zé Luiz, algo que é apagado posteriormente da história das personagens (como se vê, a alteração retroactiva da continuidade não é exclusiva dos norte-americanos).

Após as tiras cómicas, temos direito ainda a algumas pranchas semanais do Cebolinha, sempre com a participação da Mônica. Posteriormente, chegam as histórias a cores, as primeiras das quais ainda com um grafismo diferente do arredondado final.

Na segunda metade do álbum, é publicada a história que baptiza o coelho da Mônica com o nome de Sansão. Apesar do argumento não ser o mais forte, do ponto de vista artístico é interessante ver as personagens Tarzan e Jane, Fantasma, Hulk, Batman e Robin, Super-Homem e Madrake e Lothar transmutados nos traços do universo da Mônica.

A temática das histórias é bastante variada, havendo um pouco de quase tudo para todos os gostos (crossover com a Turma da Mata - mais propriamente com Jotalhão -, extra-terrestres, bruxas, autómatos, sonhos fantásticos e outros assuntos mais terra-a-terra).

A última história, avança 30 anos no futuro para nos mostrar a vida das personagens, com direito a uma viagem ao presente e tudo. Ao contrário da história publicada em Cebolinha #99 da editora Abril, O Calendário do Tempo (1981), o Cebolinha não se encontra casado com uma prima da Mônica - com a qual tinha um filho, o Cebolinha Júnior -, nem as personagens usam um foguete nas costas e um capacete de vidro nas cabeças. Desta feita, o futuro mostra um Cebolinha casado com a Mônica, com 4 filhos (Monique, Asparguinho, Cenourinha e Jónica) e 4 cães (Floquinho III, Folipo, Tufa e Felpudo). Mas é verdade que o Franjinha continua a surgir com bigode...

Apesar da Mônica ter feito 43 anos em 2006, tal em nada prejudica a leitura desta obra!

Mônica 30 Anos: Edição de Aniversário (1993)
(vários autores)
Globo, 1993 (Brasil)
256 pp, brochado


Posted at 20:42 by enanenes
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3.6.06
E Deus Criou Eva

ref.230/06

Phillipe Bercovici é um autor francês com várias séries publicadas, sendo a mais famosa As Batas Brancas (Les Femmes en Blanc).

Em 1997, aliou-se ao argumentista holandês Gerrit de Jager para o álbum de humor E Deus Criou Eva.

Cada prancha apresenta um gag independente, onde se parodiam as relações de Adão, Eva, a serpente e Deus.

Não é exactamente o meu tipo de humor; cada um deverá ler umas quantas páginas a ver se gosta, antes do levar para casa.

E Deus Criou Eva (Et Dieu Créa Eve, 1997)
Bercovici & Gerrit de Jager
Asa, 2002 (Portugal)
64 pp, brochado
ISBN 972-41-3001-0


Posted at 20:42 by enanenes
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2.6.06
Pato Da Vinci

ref.229/06

Nesta Edição Especial, intitulada Pato Da Vinci, reúnem-se em papel brilhante histórias de alguma gorma ligadas à arte.

Se o melhor papel poderá justificar a republicação de algumas histórias, coloca-se em causa se a escolha das mesmas foi a melhor, uma vez que algumas foram publicadas pela Edimpresa apenas o ano passado e estão ainda muito vivas na memória...

Inclui 3 histórias de Vicar e 1 de Giorgio Cavazzanno, entre muitas outras.

Edição Especial - Pato Da Vinci
(vários autores)
Edimpresa, 2006 (Portugal)
192 pp, brochado
ISSN 0874-0658


Posted at 20:13 by enanenes
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